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Um exemplo: "Frodo come lembas"
É uma verdade universal, ele come, atemporalmente. Não precisa de estar a ocorrer NESTE MOMENTO EXATO, simplesmente, é algo que acontece. Da mesma forma "caem as folhas" ou "as pessoas são diferentes".
Grosso modo, o aoristo Quenya correspponde ao presente indicativo, e o presente Quenya ao nosso gerúndio ;)
Não concordo muito com a sua visão sobre a relação dos tempos verbais do Quenya com os do português. A relação parece muito mais explícita quando se pensa no inglês: o present continuous sendo representado pelo presente do Q. e o presente comum pelo aoristo. O Q. tem sim um gerúndio que é formado de maneira distinta do presente, mas que só aparecerá mais tarde no curso, e sua função vai além do que o presente pode fazer.
Obrigado pela visita! ;)
O Present Continuous é o nosso gerúndio, Slicer. "Frodo está comendo lembas" é present continuous, como tal é o Q. Presente. A diferença entre o Presente e o Aoristo estaria em que o presente se fixa necessáriamente ao momento exato em que a frase é proferida. (i.e. Frodo está comendo lembas --> no momento exato / Frodo come lembas --> uma "verdade universal", no sentido em que pode ser presente ou não, representando simplesmente algo que "acontece", como um ciclo.)
Espero que não leve a mal este comentário, representa apenas uma opinião ;)
Segundo parágrafo: No inglês, o "aspecto contínuo" é criado a partir da forma conjugada do to be com o particípio ativo do verbo principal (Fonte: English Page). Contudo, dei uma olhada e, realmente, o gerúndio faz essa função ao invés do particípio, no português (PASQUALE e ULISSES, 1997), quando combinados com os verbos auxiliares ESTAR, ANDAR, IR e VIR (Gramática da Língua Portuguesa).
Mas se eu fosse me espelhar em funções gramaticais, meu ponto de partida seria o inglês: como o Gabriel bem notou na p. 220 do CdQ, o gerúndio inglês possui duas funções que o português não tem: substantivo e infinitivo. Existem algumas teorias sobre o Sindarin, por exemplo, que indicam que Tolkien teria excluído o infinitivo dessa língua em favor do gerúndio.
Mesmo assim, gostaria de lembrar que Quenya é Quenya. Tentar criar expressões como **i seldo ná lálala ou **i seldo ná lalië seria errado.